04/03/2022

Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática apresenta os resultados do terceiro ano de pesquisa junto à CTBio e Fundação Renova

Evento reuniu técnicos dos órgãos ambientais que compõem a CTBio-CIF, pesquisadores da Rede Rio Doce Mar, representantes da Ufes e Fest, da Fundação Renova e do Movimento dos Atingidos por Barragens

Assessoria de Comunicação

Nos dias 22 e 23 de fevereiro foi realizado no auditório do Núcleo de Competência em Química de Petróleo (LabPetro), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Campus Goiabeiras, o 3º Seminário Técnico-Científico de Avaliação do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática (PMBA), executado pela Fundação Espírito-santense de Tecnologia (Fest) por meio das pesquisas realizadas pela Rede Rio Doce Mar (RRDM). A realização do programa é fruto do acordo de cooperação firmado com a Fundação Renova em que a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) é anuente.

O PMBA tem como objetivos centrais a execução do monitoramento da biodiversidade aquática da área ambiental I - porção capixaba do rio Doce e região marinha e costeiro adjacente – a fim de obter resultados significativos com intuito de sanar lacunas de conhecimento e respaldar as tomadas de decisões referentes às tratativas de mitigação e ações reparatórias devido aos prejuízos causados pelo rompimento da barragem de Fundão (Marina, MG) na biodiversidade aquática em ambientes como rios, lagos, lagoas, praias, restingas, manguezais e mar.

O seminário foi promovido pela Câmara Técnica de Conservação e Biodiversidade (CTBio), que integra o Comitê Interfederativo (CIF), e é coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e demais órgãos ambientais federais e estaduais. O presidente da CTBio, Frederico Drumond Martins, considera que o PMBA é o mais importante programa no âmbito dessa câmara técnica, já que permite identificar e evidenciar os impactos do rompimento na biodiversidade. “Os dados têm mostrado um índice importante de contaminação e de impacto, graças a esse monitoramento robusto”, afirmou.

O encontro teve a participação dos coordenadores e pesquisadores do PMBA (UFES/FEST/RRDM), bem como técnicos da Fundação Renova, da CTBio, Iema-ES, Ibama-ES, representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens e do Sindicato dos Pescadores do ES.

Agora, os dados serão analisados criteriosamente pela CTBio e encaminhados a outras Câmaras Técnicas como a de Saúde, de Segurança Hídrica e Qualidade da Água, Gestão de Rejeitos e Segurança Ambiental, visando auxiliar em outras análises e tomadas de decisão por parte do CIF. Após análises dos órgãos ambientais do ES, os dados serão disponibilizados à sociedade em geral através dos canais de comunicação oficiais. Está sendo estudada também a possibilidade de disponibilização de uma consulta de dados mais dinâmica, através do software Tableau, em que usuário poderá consultar o assunto por interesse específico.

Durante os dois dias de evento, os coordenadores das pesquisas apresentaram uma síntese dos resultados por ambientes (dulcícola, costeiro e marinho) relativos ao terceiro ano de monitoramento. Com objetivo de avaliar os impactos observados nos diferentes compartimentos (abiótico e biótico) e que afetam os diferentes níveis tróficos das cadeias alimentares dos ecossistemas estudados, as pesquisas desenvolvidas pela Fest/RRDM trazem também a definição do impacto através de uma metodologia construída especificamente para o PMBA e sua matriz de resultados.

Foi observado também a permanência da incidência de em áreas que sofreram com alterações na estrutura, composição e funcionamento dos componentes abióticos e bióticos dos ecossistemas dulcícolas (calha do rio Doce, lagos e lagoas associadas), costeiros (estuário, praias, manguezais e restingas) e marinhos desde o primeiro ano de monitoramento. As pesquisas também destacam a calha, estuário e foz do Rio Doce, bem como a região costeira adjacente próxima a esta foz do rio Doce, tanto ao sul quanto ao norte, como sendo as áreas onde foram observados os maiores impactos associados aos rejeitos oriundos do rompimento da barragem de Fundão. 

Os dados foram coletados ao longo de três anos de trabalho e envolveu aproximadamente 500 colaboradores e 27 instituições de ensino e pesquisa de todo o país. Os estudos consideraram em suas análises dados coletados antes e depois do rompimento da barragem de Fundão. Segundo os resultados, a concentração do rejeito varia de acordo com a sazonalidade (períodos secos e chuvosos) e condições meteoceanográficas como frentes frias.

A metodologia da pesquisa realizada é um modelo único no país e fora dele, segundo o representante da Ufes e um dos coordenadores do PMBA, Eustáquio Vinícius de Castro: “É um esforço conjunto que começou em dezembro de 2015, voluntariamente, pela Ufes e outras universidades do Brasil. Agora, estamos há três anos unindo esforços junto aos órgãos ambientais e à Fundação Renova para realizar o monitoramento de forma idônea e isenta fornecendo subsídios para a reparação e compensações adequadas aos atingidos e ao meio ambiente, destacou.

Para o professor e coordenador técnico da Fest/Ufes- RRDM, Adalto Bianchini, o seminário é um momento muito importante em que há a entrega de resultados para a sociedade. obtidos durante três anos de trabalho árduo e muita cooperação. “Felizmente chegamos no momento de dar a sociedade uma resposta do ponto de vista técnico-científico sobre os impactos observados e se eles têm ligação com o rompimento da barragem de Fundão”, afirmou. Ainda segundo Bianchini, os dados foram classificados e quantificados considerando também o espaço em que esses impactos ocorreram.

Laila Campos Medeiros, Coordenadora de Programas Socioambientais e Proteção e monitoramento da Biodiversidade da Fundação Renova, destaca a importância do PMBA na definição de estratégias de reparação e como guia das ações de reestabelecimento dos ambientes às condições anteriores, atendendo o que está previsto na cláusula 165 do Termo de Transição e Ajustamento de Conduta (TTAC).

Após a análise dos dados pela CTBio, os resultados da pesquisa serão disponibilizados no site do IBAMA.

 

CT-BIO/CIF - é uma das 11 Câmaras Técnicas criadas para orientar, acompanhar, monitorar e fiscalizar quatro Programas, entre os 42 programas do Acordo: o programa de Conservação da Biodiversidade Aquática, incluindo água doce, zona costeira e estuarina e área marinha impactada; o programa de Fortalecimento das Estruturas de Triagem e Reintrodução da Fauna Silvestre; o programa de Conservação da Fauna e Flora Terrestre e o  Programa de

Consolidação de Unidades de Conservação. Ela é composta por representantes do ICMBio (que também a coordena), Ibama, IEF-MG, IEMA-ES e INEMA-BA, assessores técnicos do MP e dos atingidos. Todas as 11 Câmaras Técnicas foram criadas em julho de 2016, por meio da Deliberação nº 7 do Comitê Interfederativo (CIF), este criado em abril de 2016, pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Portaria 95 (07/04/2016).

Sobre a Fest/Ufes - A Fundação Renova formalizou um Acordo de Cooperação Técnico-Científica e Financeira com a Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para o custeio do primeiro ano do projeto de pesquisa denominado “Rede Rio Doce Mar”, com o objetivo de identificar e caracterizar os impactos do rompimento da barragem de Fundão na biodiversidade e ambientes aquáticos.  Formada por pesquisadores de 27 instituições de todo o país, a Rede Rio Doce Mar realiza o monitoramento desde setembro de 2018. Para a realização dos estudos, estão envolvidos cerca de 500 profissionais, a maior parte de colaboradores acadêmicos. Foi priorizada a contratação de mão de obra local, como pescadores e catadores de caranguejo, para apoiar os trabalhos.

Fundação Renova - A Fundação é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, constituída com o exclusivo propósito de gerir e executar, com autonomia técnica, administrativa e financeira, os programas e ações de reparação e compensação socioeconômica e socioambiental para recuperar, remediar e reparar os impactos gerados a partir do rompimento da Barragem de Fundão, com transparência, legitimidade e senso de urgência. A Fundação foi estabelecida por meio de um Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), assinado entre Samarco, suas acionistas, os governos federal e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de uma série de autarquias, fundações e institutos (como Ibama, Instituto Chico Mendes, Agência Nacional de Águas, Instituto Estadual de Florestas, Funai, Secretarias de Meio Ambiente, dentre outros), em março de 2016.

Marco Temporal/Desastre – No dia 05 de novembro de 2015 aconteceu o rompimento da barragem da Samarco em Fundão, em Mariana/MG, quando aproximadamente 39,2 milhões de m³ de rejeitos saíram da área de propriedade da Samarco. O rejeito atingiu o rio Gualaxo do Norte, percorreu seu leito e desaguou no rio Doce. Acredita-se que 20,3 milhões de m³ de material ficaram depositados na barragem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga). Outros 18,9 milhões de m³ de rejeitos seguiram o fluxo dos cursos d’água e parte chegou ao mar no dia 21 de novembro de 2015. (Fonte: CT-BIO/CIF)

 

 

 

 

 

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